Salineras de Maras

Salineras de Maras

27 de agosto, 2018 1 Por Alessandro

Que tal um destino alternativo nas proximidades de Cusco?

Você já viu sal brotar das montanhas? Pois esse impressionante fenômeno da natureza acontece em alguns lugares do planeta e um deles fica em pleno vale sagrado dos Incas, nas proximidades da cidade peruana de Maras, na montanha Qaqawiñay, situada há 3,380 metros de altitude, e você pode visitar, explorar as salineiras e até mesmo comprar o sal direto da fonte!

Para facilitar as atualizações, todos os contatos e valores estão agrupados e dispostos ao final do artigo.

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LOCALIZAÇÃO

Imagem: Google Maps

As SALINERAS DE MARAS estão distantes cerca de 50km do centro de Cusco e o tempo em trajeto varia de 30 minutos a 1h10min, a depender do veículo, do trânsito e da rota utilizada pelo seu transporte.

A maior parte do trajeto é realizada por rodovia bem pavimentada e sinalizada. Apenas a última milha é realizada em estrada de terra, ainda que bem conservada, como você pode ver no registro acima, tomado durante o trajeto de ida.

 


CONTRATANDO O TOUR

AGÊNCIAS: Esse passeio pode ser contratado diretamente em agências de turismo, cujo roteiro é vendido num pacote chamado Maras Moray, aonde, além das salineiras você também visita as ruínas de Moray. Geralmente esse passeio dura meio dia, mas podem incluir Chinchero, almoço e assim levar um dia inteiro. Algumas agências permitem que você faça a última perna do trajeto em quadriciclos.

AVULSO: Há também a opção de contratar o passeio avulso, exatamente como nós fizemos: – Nosso amigo Donato nos fretou um taxista de confiança que nos levou até as salineiras. Importante destacar que fizemos o passeio no nosso tempo, sem pressa, sem correria e o motorista nos aguardou lá no local.

VEÍCULO PRÓPRIO/ALUGADO: Se você estiver em condução própria ou alugada então não precisa contratar passeio algum, basta apontar o Google Maps e ser feliz. Mas vá com atenção pois não há muita sinalização turística até lá, sobretudo na estrada de chão de terra.

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TRANSPORTE PÚBLICO: Pode-se pegar ônibus até o vilarejo de Maras ou pegar um ônibus até Ollantaytambo e pedir para descer na cidadela de Ramal. De toda forma, ainda será necessário pagar um taxista para lhe levar até as minas, lhe aguardar e lhe levar de volta até Maras ou Ramal. Dessa forma a a viagem vai levar muito mais tempo e ainda torna-se mais cara que excursões (além de não ser tão seguro). Então não penso que valha a pena.

 


INGRESSOS

Antes de chegar à encosta da montanha aonde estão as salineiras, você passará por uma bilheteria aonde deverá pagar pelo ingresso. Maras possui bilheteria própria e não tem nada a ver com o carnê turístico de Cusco (Boleto Turístico). Cada pessoa visitante deve pagar um ingresso, exceto claro, guias, motoristas turísticos, taxistas, etc.

 


AS SALINEIRAS

Após a bilheteria, começa a descida até a encosta. Prepare-se! a visão do alto é surpreendente. Você terá a noção exata da dimensão dessa salineira e da quantidade de piscinas: mais de 3.000! é impressionante.

Do estacionamento até chegar às piscinas, ainda tem uma caminhada de uns dez minutos. Somente então você obterá a visão da imagem acima.


ALGUMAS REGRAS

Se você não estiver em um passeio guiado, contratado em agência de turismo, você então estará livre para percorrer as salineiras, contudo existem regras e você deverá respeitar, tais como:

  1. Não entrar nas salineiras sem a expressa autorização do proprietário;
  2. Não tirar o sal da terra;
  3. Não explorar pelo meio das piscinas (caso não esteja acompanhando uma família proprietária);
  4. E, sobretudo, não provar o sal direto da salineira. (na forma natural ele não está próprio para o consumo e pode provocar males à sua saúde e ao seu corpo).

Você pode, no entanto, colocar sua mão nos riachos por algum tempo e, ao tirar, observará cristais de sal em suas mãos. Recomenda-se, no entanto, que lave sua(s) mão(s) assim que possível (leve garrafa de água mineral).


FATOS E CURIOSIDADES

Quando foram descobertas as salineiras? Não se sabe exatamente o quando, o que se sabe é que elas são utilizadas desde os povos pré-incas. Contam que os mais antigos notaram um pequeno riacho com bordas brancas que se originavam no ventre da terra, logo descobriram que se tratava do sal da terra e aprenderam a “cultivá-lo”, sendo que a forma de extração não se alterou tanto desde o império Inca.

E como o sal foi parar dentro de montanhas lá nas alturas? É um pouco difícil de imaginar como tanto sal foi parar milhares de metros acima do nível do mar. Mas tudo foi um processo natural de formação e transformação do planeta e que iniciou há ~110 milhões de anos, quando aquele pedaço do planeta estava todo abaixo do oceano. Foi a força do encontro de duas placas tectônicas que criou as cordilheiras, elevando o terreno e, durante essa elevação as águas do mar evaporavam-se restando o sal. Sal este estocado às toneladas dentro dessas montanhas. O mesmo processo formou o Salar de Uyuni, localizado na Bolívia, só que lá, formou-se um lago que acabou evaporando durante o passar das eras e formou essa famosa “planície de sal”, conhecida como o deserto de sal.

Como funcionam as salineiras? Na primavera, com o degelo nos picos das montanhas, as águas escorrem doces até encontrarem canais subterrâneos, atravessando então essas montanhas repletas de sal. A partir de então, as águas brotam em riachos já repletas de sal. Ao longo dos anos, o curso desse riacho em particular foi manipulado de forma a atender ao “cultivo” do sal. A demanda por sal no império Inca e após o império, fez com que cada vez mais poças, chamadas de piscinas, fossem criadas, sendo necessária a construção de mais canais para a distribuição do sal. Então, num sistema bem elaborado e confuso para quem vê, a água é distribuída alternadamente entre as piscinas.

Enquanto um grupo de piscinas recebem água, acumulando sal, outro grupo que já recebeu água, fica algumas semanas sem receber água. Assim, conforme a água é evaporada naturalmente, os salineiros preparam a extração como podemos ver nas imagens acima e, na imagem abaixo (e no vídeo adicionado ao final do artigo). Nos meses produtivos, é possível ver os salineiros puxando o sal em pequenos montes, abrindo então espaço para que mais água, com mais sal, possa se acumular em sua piscina.

A salineira tem um dono? Uma empresa? Não! toda a salineira pertence há centenas de famílias e cada família é responsável pelo cultivo de sua(s) própria(s) piscina(s). Em média, cada famílias possui cerca de 40 poças.

Inclusive o sistema tal como funciona hoje não mudou muito desde a época dos Incas, de forma que muitas dessas piscinas estão na mesma família há gerações! Embora hereditárias, é possível vendê-las ou repassá-las, ou ainda, alugá-las para outras pessoas. Há uma cooperativa que organiza o “cultivo”, as posses, o preparo do sal, sua venda e sua distribuição, além do destino enquanto atração turística.

Quanto de sal é produzido? cada piscina dessas produz aproximadamente 300 quilos de sal por mês. Toda a salineira chega a produzir 600 toneladas de sal a cada ano. É o único lugar cujas jazida produzem sal natural em qualidade de exportação.

O que levar? O passeio em si é rápido, cerca de sessenta minutos já lhe serão suficientes, contudo note pelas fotos que é tudo a céu aberto e sem sombras (e nem deve ter sombra uma vez que as piscinas dependem do sol para a evaporação da água). Logo, protetor solar, chapéu, boné, etc. Óculos escuros apenas para o excesso de claridade, mas não como uma obrigação, uma vez que as salineiras não são brancas. Calçados com solados anti derrapante são importantíssimos, não precisa ser calçado para montanhismo, tênis já são suficientes. Água mineral é importante, até para o caso de precisar enxaguar as mãos caso experimente por as mãos nas águas canalizadas (experimente). Ah, dinheiro peruano em espécie, pois muitos quiosques não aceitam dinheiro eletrônico, dólares e você vai querer comprar um pouco de sal para você.

É muito colorido? Algumas fotos de Instagram e de panfletos turísticos mostram o lugar como uma aquarela com toda sorte de cores – não se deixe enganar! Observe as fotos tomadas por mim e que estão neste artigo onde é possível perceber que as cores das poças variam sim, mas todas nas tonalidades de terra. Algumas piscinas até são da cor rosa, afinal este é um dos quatro locais do planeta que de fato extrai o sal rosa. O resto é  arte digitalizada e editada (para não dizer que se trata de propaganda enganosa mesmo). A depender das configurações de sua câmera, do clima e até mesmo da época do ano (meses de chuva), pode ser que fique assim, como na foto abaixo, sem muito contraste de cores entre as poças.

Posso pegar esse sal e colocar direto no saleiro? De jeito nenhum! Seja pelos motivos  de saúde expostos nas regras mais acima, ou seja simplesmente por conta de que o sal extraído ainda passará por tratamento para extrair as impurezas e receber iodo, tornando-se então próprio para o consumo. Também pode receber tempero e ser vendido como sal para carnes, saladas, aves e específicos por tipo de alimentos. Outra parte torna-se sais para banhos, mas também podem se transformar em vários subprodutos e tudo isso pode ser comprado nas lojas da própria salineira, incluindo um dos poucos e genuínos sais rosas do planeta.

Bancas com produtos derivados do sal e demais artesanatos

Há banheiros disponíveis? sim, pela pequena taxa de 1 sol.

Quando é melhor para ir? O melhor período é de julho a novembro, inverno e primavera, quando há produção de sal e não é tão chuvoso. Na época da chuva, sobretudo em abril e maio, também é interessante a visita, mas além dos riscos de chuva no local, ainda há de se considerar as estradas de terra para chegar na atração, além disso, não haverá produção de sal e você verá apenas o sal abaixo das águas.


USANDO O SAL DE MARAS

Gastronomia: Usado no mundo inteiro, dado seu sabor exótico, o sal é utilizado sobretudo na finalização dos pratos. Um dos motivos é que em altas temperaturas, superiores a 40°, o sal de Maras começa a perder suas propriedades únicas. Também é bastante utilizado para temperar saladas, embora seu uso seja geral.

Saúde: possui propriedades cicatrizantes e dizem não reter tanto líquido no organismo quanto o sal tradicional. Os minerais continentes no sal de Maras são o ferro, o cálcio, zinco, magnésio, cobre e sódio, este último não está em excesso, o que o diferencia do sal marinho.

Nota: Pesquisa publicada (leia) garante que a quantia de sal ingerida por dia é insignificante para que tais propriedades de cada sal sejam refletidas ou percebidas pelo nosso organismo. Tal pesquisa se refere ao sal rosa do Himalaia, que também é oriundo de montanhas.


 

CONTATO E VALORES

Ingresso para Salineras: 10 soles – valor individual, pago na entrada do lugar e apenas em soles, não aceita cartão de nenhum tipo, nem qualquer outra moeda que não a peruana. Não aceita também o boleto turístico (carnê de ingressos para várias atrações na região). Nenhum passeio inclui esse ingresso.

Agências de turismo: 35 soles por pessoa (Maras e Moray, saídas entre 8h e 9h, retorno entre 14h30 a 16h, translado e guia). Porém pesquise pois o mesmo passeio pode custar 20 a 30 soles a mais, a depender da agência. É um passeio não tão popular, podendo ser contratado um dia antes, sem problemas. Use a agência indicada pela sua hospedagem.

Donato: 50 soles por pessoa, em carro privado (táxi), passeio direto até as salineiras (ida e volta). Quanto mais pessoas, menor o valor por pessoa (até 4 no carro). Contato do Donato +51 96 335 9390 (ele é natural de Cusco, estudante de turismo e está aprendendo português, é uma figura muito carismática).

Sal: 2 a 10 soles. Os pacotes de sal variam de preço conforme seu peso. O pacote médio custa 5 soles e é um bom produto para levar de lembrança.


VÍDEO RESUMO

Confira no vídeo abaixo, um pouco do passeio até as Salineras de Maras.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=1NQMkfJeLQs