MAL AGUDO DAS MONTANHAS

MAL AGUDO DAS MONTANHAS

13 de janeiro, 2016 13 Por Alessandro

TAMBÉM CONHECIDO COMO MAL DA ALTITUDE, DOENÇA DA ALTITUDE OU AINDA SOROCHE.

Sofri um bocado quando visitei Cusco* pela primeira vez e se você, assim como eu, também não se cuidar, provavelmente sentirá dor de cabeça, náuseas, vômitos, tonturas, perda de apetite ou até mesmo insônia. Podendo sentir apenas um ou, no pior cenário, todos eles.

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Mas isso depende de cada organismo e de como foi o preparo para estar nesse ambiente e quanto menos preparo, pior.

*CUSCO é uma cidade dos Andes Peruanos, situada a 3.400 metros sobre nível médio do mar e é passagem obrigatória para quem segue rumo à Machu Picchu.

Por qual motivo a gente se sente mal na altitude?

A maioria de nós, vive em baixa altitude, aonde o oxigênio é abundante e quando respiramos o volume de oxigênio presente no ar é mais do que o suficiente para suprir as necessidades de nosso organismo. Em outros termos, quanto mais oxigênio no ar, menor a necessidade de se respirar profundamente, usando uma maior capacidade de nossos pulmões.

Só que, quanto mais alto, menos oxigênio no ar.

E isso não seria problema se você chegasse à altitude como os montanhistas experientes fazem: eles levam dois dias para chegar aos primeiros 2.500 metros e, depois disso, mais um dia para cada 350 ou 700 metros adicionais. Dando tempo para o corpo se adaptar ao meio (aclimatar).

Mas nós, turistas, chegamos às cidades mais altas em poucas horas. Assim, nosso corpo não passou por uma etapa de aclimatação e, assim, continuamos respirando da mesma forma que em nossas cidades de origem, enviando para nossos pulmões a mesma quantidade de ar que, em altitude, possui menos oxigênio.

Para seu sistema respiratório, isso é um trauma. Seu organismo não está preparado para funcionar nesse “racionamento” de oxigênio e ainda vai levar um tempo para se adaptar. Você precisa tomar alguns cuidados, seja para ajudar seu organismo, seja para passar por essa etapa de aclimatação sem traumas, pois é aí que o barraco pode desabar!

  • CATEGORIAS DE ALTITUDES
    • Moderadas: entre 2.400 a 3.600 metros;
    • Altas: entre 3.600 a 5.400 metros;
    • Extremas: superior a 5.400 metros.

 

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AS PRIMEIRAS 24 HORAS

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Suas primeiras horas em altitude requerem cuidado, não se esforce, não force a barra pois pode ser que você sinta só uma leve dor de cabeça, mas há o risco de sofrer um edema pulmonar ou cerebral, podendo levar, em última consequência, à óbito.

ATENÇÃO: Se você tem alguma complicação respiratória, cardíaca, se já teve edemas, então antes de viajar para um local de altitude, vá ao médico, ele vai te passar os cuidados e os medicamentos necessários para que você fique bem e volte são!

Fique tranquilo

Depois do choque e do alerta, é a hora de te tranquilizar: Anualmente, centenas de milhares de pessoas, de todas as idades e em condições bem básicas de saúde, viajam para destinos em altitude e não morrem simplesmente por causa da altitude. Algumas pessoas vão, sem qualquer cuidado e pouco são afetadas, mas não espere ser premiado dessa forma e siga com os cuidados devidos para chegar bem, sentir poucos efeitos e aproveitar bastante sua viajem.

Use suas primeiras 24 horas com moderação: É apropriado descansar bem, deitar-se na sua hospedagem, com a cabeça elevada e praticar respiração (profunda) para tentar reorganizar seu sistema respiratório. Depois estão liberados os passeios simples pela cidade, com caminhadas curtas, pausadas, sem esforços e tomando alguns cuidados:

  • Se perceber que vai ficar cansado, pare e descanse antes;
  • Ande com água mineral, beba aos poucos e em intervalos frequentes. Beba antes de sentir sede;
  • Não faça esforço físico;
  • Caminhe tranquilamente. Não tenha pressa, você está de férias;
  • Não fale e caminhe ao mesmo tempo;
  • Fale pouco e calmamente, observe sua respiração, é importante;
  • Abandone seu lado pinguço, álcool nem pensar;
  • Não fume;
  • Não coma em excesso, a digestão também consome energia;
  • Não coma alimentos gordurosos ou de difícil digestão;
  • Evite sal em excesso;
  • Sempre que lembrar, respire fundo. Pratique;
  • Se bater uma dor de cabeça, pare, sente, relaxe e fique respirando profundamente, isso ajuda a destinar mais oxigênio para seu cérebro, aliviando a dor de cabeça.

PREVINA-SE, PREPARE-SE

Além das recomendações acima, você pode preparar-se com antecedência e amenizar muitos desses sintomas.

Eu recomendo muito que consulte um médico como pude fazer antes da minha segunda viagem. Fui clínico geral e, aproveitando que ele era peruano pedi orientação sobre uma forma de aliviar os sintomas, a receita passada foi a seguinte:

Acetazolamida, duas vezes ao dia, por dois dias, iniciando um dia antes da chegada ao ambiente de altitude. Repetindo o procedimento a cada mudança mais ao alto. Como o medicamento é  muito diurético e possui alguns efeitos colaterais, só pude tomar por dois dias. Não se automedicar!

Agora, se fosse preciso agir direto nos sintomas:
– Dor de Cabeça: Ibuprofeno, Paracetamol, AAS – Não se automedicar!
– Náuseas ou vômitos: Motilim, Plasil – Não se automedicar!

Interessante praticar exercícios cardio-vasculares, pois ajuda. Mas não é regra, senão os jogadores profissionais de futebol não sofreriam nos jogos de altitude.


 

SOLUÇÕES LOCAIS

PERÚ E BOLÍVIA – CHÁ DA FOLHA DE COCA: Todas as hospedagens na região dos andes peruanos servem o chá à vontade e gratuitamente.

Não seja preconceituoso com a folha da coca, ela não dá noia e é nossa amiga na altitude. Possui efeito analgésico além de ser vaso dilatadora, ou seja, além de ajudar no alívio dos sintomas, ainda ajuda o corpo na oxigenação.  Então beba o chá e, se preferir, amasse as folhas para extrair bem o sumo. O sabor é um pouco amargo e você pode querer colocar açúcar, mas é melhor não.

 

PERÚ – SOROJCHI PILLS: Drogarias peruanas vendem as pílulas Sorojchi Pills, um medicamento que previne e alivia todos os sintomas da altitude. Na minha primeira viagem eu cheguei a tomar e deve ter ajudado um pouco sim (Composição: Acido Acetilsalicílico 325 mg, Salófeno 160 mg, Cafeína 15mg)

 

PERÚ E BOLÍVIA – OXISHOT: São cilindros portáteis de oxigênio, eficazes tanto nos casos mais extremos, como depois de alguns exageros seus aonde você possa, de fato, sentir falta de ar. Como se trata de um  envase a pressão, você não poderá embarcar em avião com o produto, sendo necessário comprar e usar (ou não) no destino.

 


 

ALERTA MÉDICO: Na altitude, não tomar medicamentos para dormir ou qualquer outro que cause diminuição da frequência respiratória. Em ambiente de ar rarefeito, eles podem levar a uma parada respiratória e as consequências são bem perigosas.
Se você é usuário desse tipo de droga, é primordial consultar seu médico antes de viajar!

IMPORTANTE: Durante sua viagem, caso você, ou outra pessoa estiver sentindo falta de ar persistente mesmo após repouso, se estiver sem coordenação motora ou de fala, sentindo a visão embaçada, escurecida, esfumaçada, e/ou com muito cansaço, muito sono o tempo todo, ou mesmo alucinações, tosse com sangue ou expectoração espumosa, procure um hospital IMEDIATAMENTE.

Pode ser necessário deslocar essa pessoa para uma altitude abaixo de 2500 msnm com urgência pois pode tratar-se de edema (cerebral ou pulmonar).

 


Minhas experiências pessoais 

Na primeira viagem, quando não me preparei absolutamente de forma alguma, senti muita dor de cabeça e e logo nas primeiras horas. Tive sensação de cansaço por um dia e meio e sempre que fazia algum esforço a mais. A dor de cabeça passou depois de uma boa noite de sono e, quanto ao cansaço, o corpo se acostumou, se aclimatou e então foi só gerenciar os esforços e aproveitar a viagem (da forma que deu pois no terceiro dia, em Machu Picchu, que é mais baixo, ainda sentia muito cansaço). Como agravante viajei gripado e com a garganta inflamada.

Na segunda viagem eu já me preparei, segui todos os conselhos para amenizar os sintomas (e já tinha a chamada memória fisiológica por já ter passado por isso antes). Resultado: Tudo muito tranquilo, só sentia cansaço se exagerasse nas caminhadas e nas subidas mais inclinadas. A partir dessa experiência passei a tomar as mesmas medidas e tem dado muito certo. Tanto que até Machu Picchu foi tranquilo e o cansaço que senti por lá foi em decorrência de sedentarismo mesmo.

A partir da terceira viagem foi só tranquilidade. Em duas outras viagens para altitude, dois amigos que nunca haviam estado em altitude, tomaram esses cuidados e nada sofreram. Apenas o cansaço quando exageravam no esforço físico, fora isso se deram muito bem. Tive um evento de dor de cabeça em Puno, por descuido meu, por ignorar a subida de altitude de Cusco até lá mas uma parada para descanso e a retomada dos cuidados, tudo ficou bem (ao menos em relação à altitude).

 


VALE A PENA

Cidade de Cusco

Ao centro, a cidade de Cusco

Este artigo apresenta a você os riscos pois, você precisa conhecê-los afim de bem preparar-se para seguir sua viagem com tranquilidade e segurança. Muita gente viaja sequer conhecer os riscos e mesmo assim enfrentam os sintomas, superam e se divertem muito. Ah, quanto mais você viaja para altitude, melhor seu corpo reage (memória fisiológica) e melhor você se cuida, restando só aproveitar a viagem.